sábado, 21 de novembro de 2015

Futilidades e prazeres consumistas de cada um


Houve uma época em que eu estava me sentindo culpada por gostar de coisas que grande parte das mulheres gosta: maquiagem, acessórios, roupas e sapatos.
Numa fase bem minimalista comecei a achar que gostar dessas coisas me fazia uma pessoa fútil, que vaidade era perda de tempo e que eu deveria ser um pouco mais com os homens e não me importar com essas coisas.
Existia um conflito dentro de mim, porque sempre gostei dessas "coisas de menina", mas não estava mais me permitindo gostar, achava pouco inteligente dar importância a essas coisas.

Daí um dia meu pai e meu irmão foram a uma feira de ferramentas em São Paulo, e quando encontrei com eles no dia seguinte, eles estavam vendo os brindes e itens que compraram e ganharam nessa feira. Eles colocaram tudo quase milimetricamente arrumadinho em cima de uma superfície e quando cada um falava de uma coisa, seus olhos brilhavam!! Juro, vi duas mulherzinhas comentando suas aquisições de roupas e maquiagem na volta do shopping. Juro. A empolgação e o jeito era igualzinho, bastava substituir os produtos e as personagens.
Eu não pude evitar comentar isso com eles, que perceberam a verdade da situação e desse dia em diante eles pararam de tirar sarro quando eu me empolgava com alguma coisinha considerada feminina demais.

Quando eu trabalhava na área financeira de uma grande empresa (e perceba que quem trabalha nessa área tem que se arrumar sempre com primor para passar a credibilidade necessária), conheci uma moça muito simpática, mas que não tinha vaidade (aparentemente). Estava sempre de tenis (e sempre o mesmo), sempre de brinquinhos mínimos que nunca tirava, e sempre de jeans e camiseta, nem bem nem mal vestida, neutra, normal.
Me passava a ideia de uma pessoa bem resolvida com sua imagem e aparência. Que não precisava provar nada pra ninguem e que estava vivendo uma vida muito tranquila e equilibrada. Até invejei ela um pouquinho, confesso, queria ter essa auto confiança, minha conta bancária agradeceria...
 Mas uma vez ela me contou que estava muito endividada no cartão de crédito, que naquele mês a fatura estava altíssima e que de presente de aniversário o marido iria pagar uma parte da fatura.
Eu, que na época também estava afogada em dívidas, (mas que era visível onde eu gastava, pois estava sempre com roupas, sapatos e bolsas novas), fiquei curiosa, e não me contive, chamei ela com cuidado para não ofender ou ser mal interpretada e tive que perguntar: "me desculpe a sinceridade, mas você não é de gastar com maquiagem", e ela respondeu: "É, não uso". "Nem com sapatos", eu disse, ela falou, "É realmente eu gosto de trabalhar de tênis", "Nem com roupas", constatei. "É, não sou chegada". "Então, me conta, como você gasta tanto no cartão de crédito a ponto de perder o controle?"
E ela falou: "Roupas esportivas! Da última vez que fui na loja Decathlon gastei R$ 700,00 em roupas esportivas. Sou viciada, adoro."

Então eu entendi.

Não é por serem diferentes de mim que as pessoas não tinham os mesmos problemas de consumismo que eu tinha na época.
Nesse dia ficou claro pra mim que todo mundo é igual, uns com ferramentas outros com artigos esportivos, outros com maquiagem ou roupas.
O ser humano precisa de diversão já diziam os Titãs ( a gente não quer só comida...).

E poder comprar com o dinheiro do suor do seu trabalho coisas que tragam felicidade, coisa materais também, porque não?
Claro que tudo sem exagero, pois o problema não é o consumo, mas o consumismo.
Se não a vida fica muito chata! Nossos "hobbies" são nossa válvula de escape.
Pequenos prazeres fazem parte da nossa existência, pequenas felicidades sem culpas.
Se maquiagem é oque te faz feliz, não deixe que os outros te diminuam por causa disso, lembre-se TODO MUNDO TEM SEUS PEQUENOS PRAZERES PESSOAIS.

E eles são permitidos, claro, por que não?

Enquanto estivermos vivos temos todo direito de aproveitar o que a vida nos oferece e nos faz feliz.
Por mais estranho ou fútil que possa parecer aos outros, pode acreditar!

sábado, 14 de novembro de 2015

Usar até acabar

Você usa suas roupas e sapatos até acabar??

Duvido...

Pergunte pra sua mãe quantas roupas e sapatos ela usou até acabar?

Alguns né

Agora pergunte para sua avó

Vários!

Infelizmente vivemos em tempos descartáveis, onde além de nada ser feito para durar, mesmo que durasse não íamos saber mesmo, por que descartamos antes.

Já teve aquela roupa, sapato ou bolsa que você usou até se desfazer? E no final teve que jogar fora mesmo, porque doação era impossível?
Eu já tive alguns, bem poucos posso garantir, mas a sensação de usar algo ao máximo, até literalmente acabar, é muito boa. Aquela sensação que seu dinheiro foi bem gasto, que o objeto cumpriu bem sua função, que você contribuiu para o meio ambiente.

Se desfazer das coisas é fácil, e posso dizer que até bem prazeroso, adoro fazer "a limpa" tanto no meu armário quanto nos dos outros (quando pedido, é claro). Tirar, limpar, arrumar, que delícia!!
Mas precisamos tomar cuidado para não cair a armadilha do comprar-descartar, comprar-descartar.

"Ahh mas eu sou desapegada, meu armário é enxuto, sempre me desfaço do que não uso"
Tudo bem, muito legal isso, mas continua comprando?
Tem gente que decide fazer um armário capsula, "a partir de agora vou viver leve com apenas as roupas que uso, tenho 300 peças e vou reduzir a 30, vou doar tudo. Mas antes, vou precisar comprar umas 10 peças para montar meu armário cápsula"

Sério? De 300 peças você não consegue montar um cápsula de 30 sem precisar comprar nada?

Perdeu todo o sentido do negócio, Missed the point, desculpe, mas você entendeu tudo errado.
O objetivo não é apenas reduzir, doar, mas também parar de comprar, reduzir o consumo, como você vai reduzir o consumo começando por consumir??

Bom o objetivo desse post é fazer esta análise, tente usar alguma coisa até o fim. Como na época de nossos avós, quando o consumo era bem menor, principalmente na questão de roupas e sapatos, e tudo era mais valorizado, não só objetos, mas também as relações humanas.

Se usar tudo que você te até acabar, ou quase, vai ficar sem comprar nada por muuuuito tempo.

Também não precisa exagerar, trabalhamos para viver, mas também nos darmos pequenos prazeres, presentes, tudo bem também, mas faça o teste com pelo menos alguns objetos e veja como se sente!

* foto da internet




terça-feira, 10 de novembro de 2015

A arte de comprar novos itens


Algumas coisas nós temos que fazer sozinhas, e na minha opinião, fazer compras de roupas é uma delas. Comprar não pode ser uma coisa rápida, como saciar um vício ou apenas cumprir uma tarefa, pode parecer meio brega falar assim, mas comprar é uma arte, e requer tempo, e disposição.


Claro que comprar todo mundo sabe, mas comprar bem é outra história.

O ideal é começar com uma lista. Eu tenho uma lista de tudo que eu preciso em uma agenda, e essa lista inclui desde uma calça legging  até um conjunto de copos pra cozinha (os meus são todos de requeijão, abafa...) mas essa lista não tem prazo pra acabar, um item pode ficar nela por semanas, ou meses, até que eu me veja frente a frente com exatamente o que eu estava querendo ou até que chegue meu aniversario e alguém me pergunte o que eu quero, na cara de pau mesmo vou consultar minha lista, porque quando a gente dá um presente quer que a pessoa goste e use, eu pelo menos sou assim inclusive dando coisas de lojas que sei que a pessoa vai poder trocar se não gostar, sem ofensas. Mas tem gente que só dá mesmo pra cumprir tabela, mas aí é outro assunto, então, facilita para a pessoa se a gente der uma sugestão, bom pros dois envolvidos, né?

Quando sobre um dinheiro e eu estou com tempo e disposição, posso ir atrás de algum item da minha lista, o primeiro passo é pesquisar na internet, para ter uma noção de preço e do que realmente estou procurando.

Liquidações? Não gosto.
Se está na liquidação algum problema tem.
Ou é fora de estação, ou tem defeito.
A menos que seja um item de uma moda bem passageira, que voce goste muito e que esteja realmente barato. Compre pra usar o máximo, por um tempo limitado e já sabendo disso, nesse caso vale a pena.

Sair as compras sem saber exatamente o que está procurando pode ser uma armadilha, e mais de uma vez não encontrei o que queria e acabava pegando outra coisa parecida, apenas para não me sentir mal de voltar de mãos vazias, como uma criança com seu prêmio de consolação, prêmio esse que sai caro, pois não é nem nunca será aquilo que eu realmente queria, e sempre vou olhar pra esse item como algo que eu comprei porque não tinha o outro ( até pode acontecer o contrário, e este item ser muito mais legal e funcional que o ouro que voce queria, mas são casos raros, quase uma loteria).
No geral essas coisas vão embora na primeira limpa do armário. Não gera um sentimento de conexão legal.

Sair com amigas para comprar nem sempre é boa ideia, na empolgação cada uma acaba olhando apenas algo para si mesma, e quando pedimos opinião vem um simples "Tá lindo" sem análise ou sinceridade, pois ou elas estão comprando algo também e mais interessadas nisso, ou estão com pressa para ver alguma outra coisa, poucas pessoas gostam de fazer compras e dar opiniões para os outros, com excessão das profissionais da área, personal stylists e outras, nesse caso vale a pena a companhia, se voce puder pagar por esta ajuda na hora das compras aí é outra história.

Amigas também podem tirar seu foco da compra, só voce, e mais ninguém conhece bem seu gosto e suas necessidades, as vezes a pessoa está passando por uma vibe por exemplo boho, fazendo cursos esotéricos e totalmente submersa nesse universo, que pode não ser o seu naquele momento, e é claro que ela vai dar uma opinião baseada no momento dela, "Esse colete de crochet é a sua cara!!" Só que voce é advogada e trabalha em escritório formal, ahhh mas minha amiga achou tao lindo em mim, vou levar, e lá se vai mais uma peça passar uma temporada eterna no seu guarda roupas.

Opinião da vendedora? Acho difícil ser sincera, elas querem vender. Ponto final.

Também não recomendo levar pai ou marido, por mais que eles sejam super compreensivos e pacientes, a gente sente um pouco de culpa por saber que tem alguém esperando a gente olhando pros lados com aquela cara de saco cheio, salvo raras excessoes, mas também não vale a pena essa pressão.
Levar a mãe é a opção menos ruim, mas em alguns casos a mãe é de outra época e ainda tem seus gostos bem enraizados na moda da época que ela viveu, assim, ela pode dar opiniões que não reflitam o seu gosto, a sua realidade, os tempos atuais, ela pode achar lindo vestidinhos de poá dos anos 60 com tiara, mas você é uma pessoa moderna que só usa calça e as cores preto e cinza, e ir na onda da mãe nesse caso pode ser desastroso.
Ou pior ainda, sua mãe pode ver voce como a menininha que sempre foi, e sugerir roupas infaltilizadas que não condizem com sua idade atual, ou até o contrário, sugerir peças que ela imagiva que ficariam boas nela, mas considere que a idade de vocês é bem diferente...
Como em todos os casos também há excessoes, há mães que são verdadeiras personal stylists, nesse caso parabens você tem muita sorte

Vamos às compras...

Pegue um dia livre, se arrume, se perfume, a máxima "O mundo trata melhor quem se veste bem " é verdadeira, e apesar de ser enganoso julgar pelas aparências, no geral as vendedoras vão tratar melhor quem estiver bem arrumada. Mas sem exageros, esteja alinhada, em ordem.
Leve sua lista, ou saiba bem de cabeça qual item pretende adquirir, após as pesquisas na internet, voce ja deve ter em conta os valores aproximados.

Não compre nada que não seja da cor ou estilo das outras coisas que você tem ou goste, já ouviu aquela frase: "Se voce tiver que comprar roupas novas para um novo trabalho analise se este trabalho é mesmo para você". Temos tendência a comprar coisas para o "fantasy me" e não para o "real me". O "Fantasy me" é um termo em ingles que define aquela pessoa que a gente imagina que poderia ser, mas não é o nosso eu real, no meu "fantasy me"já comprei muito vestidos rodados e saltos altíssimos, doei tudo, nunca usei, não tinha ocasião nem eventos, apenas aquelas festas e eventos que aconteciam na fantasia da minha mente onde eu era Dita von Teese 24 horas por dia, quem consegue??? Bora voltar pra realidade...

Compre algo para sua realidade, o hoje. Tenho andado tão imediatista que penso: Usaria esta roupa amanhã?? Se a resposta for sim, eu compro. E as vezes uso mesmo no dia seguinte, só pra tirar " a virgindade" da roupa e já colocá-la na roda, roupa nova guardada com etiqueta por muito tempo parece que vai perdendo o encanto, e vira mais um enfeite no guarda roupas.

Outra coisa é experimentar. Odeio. Mas já não compro sem fazer este esforço. Para facilitar quando vou comprar parte da baixo (calça, shorts, saias) vou com saia e uma calcinha que é um shortinho por baixo. Facilita muito e depois de provar, tem que olhar de todos os ângulos, andar um pouquinho com a peça, voce não vai ficar imóvel quando usa-la e as vezes dá alteração, principalmente shorts, alguns tendem a embolar no meio das pernas de quem tem  coxas um pouco mais grossas. Não tenha vergonha, é seu dinheiro que está em jogo, prove e dê um rolé pela loja. O mesmo vale para sapatos.

Analise também a qualidade, costuras, acabamento e no caso das roupas tecidos.
A maioria das pecas que me desfiz porque apesar de lindas toda vez que colocava para sair, não me sentia bem e tirava na ultima hora, eram peças de poliéster e tecidos sintéticos. Pra mim sufoca, a pele não respira, acho péssimo. Tenho evitado. Na verdade ultimamente tô bem chata com isso, procuro camisetas 100% algodão. Já as calças jeans é recomendável que tenha pelo menos 2% de elastano, fica mais confortável.

Depois disso tudo, ja com a decisão em mãos, hora de pagar.

A vista. Sim. Se não tem dinheiro não compre. Coloque na listinha eterna.
Porque nada pode ser tão urgente. A menos que sua casa tenha pegado fogo e você perdeu tudo, se não, pode esperar.
Acredite, vai ser melhor pra você, voce vai se agradecer no futuro. Orgulho de gente grande, sabe?
Além de poder chorar um descontinho...

E pronto, feliz da vida voce adquiriu algo que vai te trazer felicidade, vai combinar com todo o resto do seu armário e vai te deixar mais elegante. Essa é a compra certa, a compra feliz!

Espero que este post apesar de gigante tenha ajudado de alguma forma. Eu costumo seguir essas regrinhas e não tenho me arrependido.

Boas compras!

* fotos da internet

domingo, 8 de novembro de 2015

Coisas com história, objetos com alma

No auge do meu consumismo, trabalhava como secretária executiva em uma multinacional, usando sempre um terninho e sapatos coloridos combinando com a cor da cada terno em cada dia da semana e por mais invejável que eu parecesse, no intervalo do trabalho invejava a hippie que passava na rua descompromissada de chinelos havianas e bolsa de crochet.
Meu armário estava cheio, era lindo e invejável, e eu além de não ter um estilo definido, me sentia meio Barbie. Hoje sou a Barbie executiva:  terninho, pasta e sapatao de bico fino. Hoje sou a Barbie  preppy: sainha, meia calca xadrez e colete. Hoje sou a Barbie intelectual: óculos, saia lapis e camisa.
Era assim que me sentia, usando fantasia everyday. Gastava 80% do meu dinheiro com roupas, sapatos e bolsas e quando passava a hippie na rua eu sentia inveja, será que amanhã eu deveria me vestir de Barbie hippie???
Percebi que no fundo alguma coisa estava errada
Meu closet era cheio, mas nada tinha minha forma, meu cheiro, meu jeito, nada chegava a envelhecer, pois eu usava tudo um pouco e depois ja comprava outro, um mais moderno, mais na moda.
No escritório que eu trabalhava tinha um senhor responsável pela área de marketing que havia trabalhado sempre em emissoras de televisão, ele tinha por volta de 70 ou 80 anos e usava ternos Ricardo Almeida caríssimos e lindíssimos, perfumes importados, sapatos maravilhosos e estava sempre "na estica". Era um senhor muito elegante de cabelos branquíssimos.
Uma coisa destoava de todo aquele visual moderno e impecável, ele usava uma pasta de couro cor caramelo, dessas modelos artesanais, mais ou menos como a da foto abaixo:



Mas era uma pasta bem velha, desgastada e estava descosturando em alguns cantos, elogiei (mais por curiosidade do que por achar bonita mesmo, queria entender o porque dela estar ali), não que achasse feia, mas me intrigava, ele tinha dinheiro para comprar a pasta mais cara do shopping mas usava aquela, e então ele com toda sua discrição apenas me disse que fora um presente de sua esposa e que havia ganhado há mais de 20 anos atrás (esposa esta também uma senhora idosa, e não uma jovem descartável como ele poderia ter se quisesse dada sua conta bancaria).

E foi assim que por dias eu, quando via aquela pasta ficava viajando nela, pensando quantas historias ela deveria ter pra contar, quantas reuniões, quantas empresas e emissoras de tv ela ja teria visitado, quantas pessoas interessantes, era uma amiga fiel dele, e eu secretamente invejei não ter nenhum objeto "com alma". Tudo meu era descartável e não envelhecia pois eu já trocava por outro, nenhum objeto meu tinha historia, tinha sido meu companheiro de alguma aventura ou tinha me acompanhado por anos, nenhum estava se desfazendo de tanto uso ou teria um valor sentimental tão grande,
eu era superficial.

Esse foi um dos momentos em que começou a brotar em mim a semente do simples, do menos, do ato de ter poucos objetos, mas de qualidade, com alma, com história.

Então passei a comprar menos, mas meus empregos na época exigiam estar impecável, então eu comprava o melhor que meu dinheiro pudesse pagar. Em vez de 3 sapatos comprava 1, mas o melhor, aquele que poderia viver comigo, viagens, aventuras e historias, e que quando eu me desfizesse ele, tivesse criado uma cumplicidade, sentisse dó de jogar fora, tivesse aproveitado ao máximo.

Para ter menos coisas acredito que devemos pensar muito bem antes de comprar, evitar os descartáveis, pois além de não durarem nada tem toda aquela questão de trabalho escravo, meio ambiente e mil outras questões que podemos levantar com a fast fashion...
e acredite é melhor "repetir o bonito que variar o feio" um bom sapato de couro preto vai te acompanhar a semana toda, sempre elegante, seja voce menino ou menina.

Espero ter conseguido passar a minha ideia de objeto com alma, pois acho isso de suma importância no processo de reduzir as coisas.

e voce? tem algum objeto com alma?








sábado, 7 de novembro de 2015

Sobre bagagens, excesso e falta



Quando eu tinha 18 anos fui morar na Holanda e como tenho  nacionalidade fui com a ideia de morar lá para sempre, mesmo não fazendo ideia do que iria encontrar lá, fui decidida, não voltaria mais, coisa de pessoa impulsiva e cabeça dura, tenho que admitir...

Junto com esta decisão, veio a decisão de levar todas as minhas roupas, sim, TODAS, e  portanto usar o máximo de peso permitido para a bagagem naquela época, duas malas de 30 kgs cada.

Levei tudo. Se eu tinha roupas boas de qualidade? Não.  Se  eram roupas lindas e diferentes com valor sentimental? Também não.  O que eu tinha era 60kgs de roupas de velhas. Mas eram minhas roupas, tudo que eu tinha e eu era apegada a elas.

Chegando lá não foi nada fácil, pegar trem e depois tram (um bondinho) com 2 malas pesadíssimas, tendo que transportar da plataforma para o trem em tempo recorde antes das portas fecharem...aff...não foi fácil, mas em nenhum momento pensei em me desfazer de nada. Cabeça dura que era...

Voltei ao Brasil depois de 6 meses, trouxe tudo de volta, e devo ter usado durante a minha viagem 20% das roupas. Sim, levei minhas roupas pra passear de avião... e decidi nunca mais viajar com malas tao pesadas. Pelo menos aprendi a lição.

Depois disso acabei sempre pecando pelo contrário, mesmo na minha fase mais consumista, tentava levar pouca coisa quando viajava.

No ultimo final de semana fui pra praia, 3 dias no total, levei uma malinha com 1 biquini, 1 pijama, 3 camisetas, 1 calca de malha e 1 short jeans. Pensei assim, minimalista que sou, um biquíni usa num dia, no outro já está seco, um pijama é mais que suficiente, vou de short jeans e camiseta pra praia por cima do biquíni e vai dar tudo certo.

Não deu.
Primeiro dia fui pra praia como imaginei, biquíni, short e camiseta, tudo perfeito, voltei com tudo sujo e molhado, o tempo virou. Cheguei na pousada e pendurei tudo pra secar. Não secou.

De noite, meu filho derrubou agua no meu pijama, tive que dormir com a calca de malha e camiseta.

No dia seguinte estava nublado, pijama molhado, biquíni molhado, short sujo de areia e molhado, camiseta nr 1 inutilizada. Pronto! Pensei, acabou minha mala. E todo o meu minimalismo que estava me deixando tão orgulhosa foi ralo abaixo.

Estava nublado e um pouco friozinho, tive que colocar biquíni molhado (!!) logo cedo.

Coloquei também o short jeans cheio de areia, molhado e frio (!!!)

E pelo menos uma camiseta limpa.

Passei frio, peguei friagem e voltei da praia com uma crise de sinusite que me deixou 3 dias de cama sem conseguir nem me sentar de tanta tontura.

Lição aprendida?  SEMPRE

Para viajar, pelo menos 2 roupas de dormir, pelo menos 2 biquinis, e levar uma canga ou algo parecido.

Conclusão? Nem tanto ao céu nem tanto ao mar, 60 kgs de roupas é um exagero mesmo que seja para 6 meses, agora também não precisava ir tanto ao outro extremo...

Como bem ensinou Buda, o caminho do meio é sempre o melhor.

Equilíbrio sempre!

E você, já exagerou na mala pra mais ou pra menos? Conta pra mim!



Minimalismo

O assunto deste blog é o minimalismo.



Há mais de 10 anos venho trabalhando constantemente esta idéia de viver com menos.
Tudo que se relaciona a este assunto me interessa pois acredito seriamente que muita tralha pode travar a nossa vida.
Há 20 anos atrás li uma entrevista do Miguel Fabella na qual ele falava que passou uma fase muito difícil na vida, onde parecia que tudo estava travado, emperrado, e ele não via saída para nada, foi quando um amigo sugeriu: "Dá tudo, dá tudo que você tem". E foi isso que ele fez, doou quase tudo que tinha, roupas, móveis, cacarecos, ficou só com o essencial, isso nos anos 90, quando minimalismo ainda não era um assunto "na moda". Ele disse que após essa doação completa e insana, a VIDA FINALMENTE ANDOU. Começaram a aparecer novos contatos, novos contratos e em poucos anos ele não só recuperou tudo, como ganhou muito mais. Esse desapego, esse desprendimento, era o que ele precisava naquele momento. As vezes um apego o qual não nos damos conta trava a nossa vida. O dinheiro é uma força em constante movimento, precisa entrar para sair e assim continuar o ciclo constantemente, e assim é com tudo.
A vida é mudança, impermanência, imóvel é a morte.
Já ouvi falar muitas vezes, de pessoas com doenças terminais que resolvem mudar de vida, doar tudo, ir pra um templo budista ou algo assim, e se curam. Aí se vê a ligação entre o apego e a doença. Normalmente quem se apega a objetos, se apega a pessoas, a sentimentos e até a doenças.
Quantas pessoas conhecemos que tratam sua doença como um ente querido, e quando comentamos por exemplo que conhecemos outra pessoa que se curou de tal doença, a pessoa automaticamente fala: "Ah, mas a MINHA doença é pior, a minha não é igual a dela".
E falam assim com uma propriedade, cuidando, acarinhando a doença, e aquilo vira tão o centro da vida daquela pessoa, que se ela se curar não terá mais assunto, pra que se curar então?

A cabeça da gente é realmente complexa, precisamos tomar cuidado e também não confundirmos posse com apego, existe aquela velha fábula do apego que diz assim:
 Um velho mestre estava caminhando entre as montanhas quando avistou uma castelo muito suntuoso. Resolveu fazer uma visita a aquele rei. Chegando lá, ele ficou estarrecido com tanta riqueza, as paredes eram de ouro, tapetes persas por todos os lados, móveis maravilhoso, louças finas, prataria, tudo muito rico.
E conversando com o rei ele falou: "Não, Vossa Majestade,  não pode ter assim tantas coisas, isso é apego".
Ao que o rei respondeu: "Mas eu não tenho apego, tenho sim minhas riquezas que a vida e meu trabalho me proporcionaram, mas se não as tiver mais não terei medo, estou certo de que nada disso me fará falta, não tenho apego".
Então o mestre falou: "Mas veja eu, por exemplo, só possuo esta roupa do corpo e este velho cajado, que já está comigo há muitos anos e é tudo que eu tenho. Você precisa ser assim, sem bens, sem apegos."
E convidou o rei para dar uma volta pelas montanhas. Foram assim conversando e quando já estavam a certa distância do castelo, o mestre notou que o castelo pegava fogo.
Em desespero ele gritou: "Veja, Vossa Majestade!! O castelo está pegando fogo, está tudo queimando, precisamos voltar!!"
E o rei então respondeu: "Não há mais tempo, até chegarmos lá, já estará tudo queimado, destruído! Mas não tem problema, tudo podemos readquirir, com meu trabalho e força de vontade vou recuperar tudo isso, e como eu disse antes não tenho apegos, são apenas objetos".
E o mestre desesperado: "Não, majestade, nós temos que voltar, temos que voltar."  
E o rei: "Mas porque tamanho desespero?? Não se preocupe, está tudo bem".
E o mestre então falou: "Não, você não está entendendo: MEU CAJADO ESTAVA LÁ!!!"

Portanto não basta simplesmente sair doando tudo que tem, esse é um caminho longo, que pode mexer com coisas não tão agradáveis lá dentro de você, mas garanto que no final vale muito a pena!

E aí? Vamos embarcar no minimalismo?