sábado, 21 de novembro de 2015

Futilidades e prazeres consumistas de cada um


Houve uma época em que eu estava me sentindo culpada por gostar de coisas que grande parte das mulheres gosta: maquiagem, acessórios, roupas e sapatos.
Numa fase bem minimalista comecei a achar que gostar dessas coisas me fazia uma pessoa fútil, que vaidade era perda de tempo e que eu deveria ser um pouco mais com os homens e não me importar com essas coisas.
Existia um conflito dentro de mim, porque sempre gostei dessas "coisas de menina", mas não estava mais me permitindo gostar, achava pouco inteligente dar importância a essas coisas.

Daí um dia meu pai e meu irmão foram a uma feira de ferramentas em São Paulo, e quando encontrei com eles no dia seguinte, eles estavam vendo os brindes e itens que compraram e ganharam nessa feira. Eles colocaram tudo quase milimetricamente arrumadinho em cima de uma superfície e quando cada um falava de uma coisa, seus olhos brilhavam!! Juro, vi duas mulherzinhas comentando suas aquisições de roupas e maquiagem na volta do shopping. Juro. A empolgação e o jeito era igualzinho, bastava substituir os produtos e as personagens.
Eu não pude evitar comentar isso com eles, que perceberam a verdade da situação e desse dia em diante eles pararam de tirar sarro quando eu me empolgava com alguma coisinha considerada feminina demais.

Quando eu trabalhava na área financeira de uma grande empresa (e perceba que quem trabalha nessa área tem que se arrumar sempre com primor para passar a credibilidade necessária), conheci uma moça muito simpática, mas que não tinha vaidade (aparentemente). Estava sempre de tenis (e sempre o mesmo), sempre de brinquinhos mínimos que nunca tirava, e sempre de jeans e camiseta, nem bem nem mal vestida, neutra, normal.
Me passava a ideia de uma pessoa bem resolvida com sua imagem e aparência. Que não precisava provar nada pra ninguem e que estava vivendo uma vida muito tranquila e equilibrada. Até invejei ela um pouquinho, confesso, queria ter essa auto confiança, minha conta bancária agradeceria...
 Mas uma vez ela me contou que estava muito endividada no cartão de crédito, que naquele mês a fatura estava altíssima e que de presente de aniversário o marido iria pagar uma parte da fatura.
Eu, que na época também estava afogada em dívidas, (mas que era visível onde eu gastava, pois estava sempre com roupas, sapatos e bolsas novas), fiquei curiosa, e não me contive, chamei ela com cuidado para não ofender ou ser mal interpretada e tive que perguntar: "me desculpe a sinceridade, mas você não é de gastar com maquiagem", e ela respondeu: "É, não uso". "Nem com sapatos", eu disse, ela falou, "É realmente eu gosto de trabalhar de tênis", "Nem com roupas", constatei. "É, não sou chegada". "Então, me conta, como você gasta tanto no cartão de crédito a ponto de perder o controle?"
E ela falou: "Roupas esportivas! Da última vez que fui na loja Decathlon gastei R$ 700,00 em roupas esportivas. Sou viciada, adoro."

Então eu entendi.

Não é por serem diferentes de mim que as pessoas não tinham os mesmos problemas de consumismo que eu tinha na época.
Nesse dia ficou claro pra mim que todo mundo é igual, uns com ferramentas outros com artigos esportivos, outros com maquiagem ou roupas.
O ser humano precisa de diversão já diziam os Titãs ( a gente não quer só comida...).

E poder comprar com o dinheiro do suor do seu trabalho coisas que tragam felicidade, coisa materais também, porque não?
Claro que tudo sem exagero, pois o problema não é o consumo, mas o consumismo.
Se não a vida fica muito chata! Nossos "hobbies" são nossa válvula de escape.
Pequenos prazeres fazem parte da nossa existência, pequenas felicidades sem culpas.
Se maquiagem é oque te faz feliz, não deixe que os outros te diminuam por causa disso, lembre-se TODO MUNDO TEM SEUS PEQUENOS PRAZERES PESSOAIS.

E eles são permitidos, claro, por que não?

Enquanto estivermos vivos temos todo direito de aproveitar o que a vida nos oferece e nos faz feliz.
Por mais estranho ou fútil que possa parecer aos outros, pode acreditar!

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