O assunto deste blog é o minimalismo.
Tudo que se relaciona a este assunto me interessa pois acredito seriamente que muita tralha pode travar a nossa vida.
Há 20 anos atrás li uma entrevista do Miguel Fabella na qual ele falava que passou uma fase muito difícil na vida, onde parecia que tudo estava travado, emperrado, e ele não via saída para nada, foi quando um amigo sugeriu: "Dá tudo, dá tudo que você tem". E foi isso que ele fez, doou quase tudo que tinha, roupas, móveis, cacarecos, ficou só com o essencial, isso nos anos 90, quando minimalismo ainda não era um assunto "na moda". Ele disse que após essa doação completa e insana, a VIDA FINALMENTE ANDOU. Começaram a aparecer novos contatos, novos contratos e em poucos anos ele não só recuperou tudo, como ganhou muito mais. Esse desapego, esse desprendimento, era o que ele precisava naquele momento. As vezes um apego o qual não nos damos conta trava a nossa vida. O dinheiro é uma força em constante movimento, precisa entrar para sair e assim continuar o ciclo constantemente, e assim é com tudo.
A vida é mudança, impermanência, imóvel é a morte.
Já ouvi falar muitas vezes, de pessoas com doenças terminais que resolvem mudar de vida, doar tudo, ir pra um templo budista ou algo assim, e se curam. Aí se vê a ligação entre o apego e a doença. Normalmente quem se apega a objetos, se apega a pessoas, a sentimentos e até a doenças.
Quantas pessoas conhecemos que tratam sua doença como um ente querido, e quando comentamos por exemplo que conhecemos outra pessoa que se curou de tal doença, a pessoa automaticamente fala: "Ah, mas a MINHA doença é pior, a minha não é igual a dela".
E falam assim com uma propriedade, cuidando, acarinhando a doença, e aquilo vira tão o centro da vida daquela pessoa, que se ela se curar não terá mais assunto, pra que se curar então?
A cabeça da gente é realmente complexa, precisamos tomar cuidado e também não confundirmos posse com apego, existe aquela velha fábula do apego que diz assim:
Um velho mestre estava caminhando entre as montanhas quando avistou uma castelo muito suntuoso. Resolveu fazer uma visita a aquele rei. Chegando lá, ele ficou estarrecido com tanta riqueza, as paredes eram de ouro, tapetes persas por todos os lados, móveis maravilhoso, louças finas, prataria, tudo muito rico.
E conversando com o rei ele falou: "Não, Vossa Majestade, não pode ter assim tantas coisas, isso é apego".
Ao que o rei respondeu: "Mas eu não tenho apego, tenho sim minhas riquezas que a vida e meu trabalho me proporcionaram, mas se não as tiver mais não terei medo, estou certo de que nada disso me fará falta, não tenho apego".
Então o mestre falou: "Mas veja eu, por exemplo, só possuo esta roupa do corpo e este velho cajado, que já está comigo há muitos anos e é tudo que eu tenho. Você precisa ser assim, sem bens, sem apegos."
E convidou o rei para dar uma volta pelas montanhas. Foram assim conversando e quando já estavam a certa distância do castelo, o mestre notou que o castelo pegava fogo.
Em desespero ele gritou: "Veja, Vossa Majestade!! O castelo está pegando fogo, está tudo queimando, precisamos voltar!!"
E o rei então respondeu: "Não há mais tempo, até chegarmos lá, já estará tudo queimado, destruído! Mas não tem problema, tudo podemos readquirir, com meu trabalho e força de vontade vou recuperar tudo isso, e como eu disse antes não tenho apegos, são apenas objetos".
E o mestre desesperado: "Não, majestade, nós temos que voltar, temos que voltar."
E o rei: "Mas porque tamanho desespero?? Não se preocupe, está tudo bem".
E o mestre então falou: "Não, você não está entendendo: MEU CAJADO ESTAVA LÁ!!!"
Portanto não basta simplesmente sair doando tudo que tem, esse é um caminho longo, que pode mexer com coisas não tão agradáveis lá dentro de você, mas garanto que no final vale muito a pena!
E aí? Vamos embarcar no minimalismo?

Nenhum comentário:
Postar um comentário