quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Adequação é tudo

Você sai pra jantar fora a noite em um restaurante chique de biquini e canga?

Você vai para o trabalho de pijama?

Faz faxina de salto alto? Ou vai pra academia de saia lapis?

Se você não faz nada disso, então porque você usa roupa de ginástica para fazer compras?

ou tênis esportivo em uma apresentação de teatro?

Se você vai ao cinema de havaianas poderia muito bem ir a praia de scarpin...certo?

Na verdade está tudo errado mesmo...
Quando postei no grupo do armário cápsula o post sobre vestir-se bem sempre, algumas pessoas reagiram dizendo que em casa gostam de vestir qualquer coisa mesmo. Tudo bem!! Você pode estar bem vestida vestindo qualquer coisa. Vestir-se bem, estar apresentável não é ficar na sala de vestido social e salto alto assistindo televisão, você pode estar de shorts e sua camiseta "podrinha" e estar bem vestida, limpa, e principalmente ADEQUADA.



Vejo que hoje em dia as pessoas perderam um pouco a noção de para que serve cada roupa, e consequentemente o respeito que algumas ocasiões pedem.
Minha mãe conta que quando ela era criança, a roupa mais chique que ela tinha era a roupa que usava para ir na igreja, chamava de "roupa de vêdeus" sim, de ver Deus... e ir a igreja era um evento que pedia estar arrumada mostrando cuidado próprio e principalmente, mostrando RESPEITO. Pelo ambiente, pelas pessoas, pela ocasião.

Michelle Obama e suas meninas lindas e super adequadas para encontrar o Papa com suas "roupas de vêdeus"

Com o armário cápsula, por termos menos roupa precisamos tomar cuidado de não usar a mesma roupa para tudo. Cada modelo, tecido, forma, foi feito para uma ocasião. Claro que temos os básicos, que variando os acessórios podem ir do trabalho à festa, mas essa é uma atencão que temos que ter.

Quando eu estagiava em comércio exterior em uma multinacional, tinha 19 anos e fazia faculdade, consequentemente ia trabalhar de moletom Hard Rock Café (não me condene, na época todo mundo usava rs) e apesar de sempre ter sido vaidosa, eu não me atentava que não estava adequada. Até que uma querida colega de trabalho falou sutilmente que eu não estava em um campus para usar moletom todo dia. Nesse dia que reparei que as pessoas passavam todas as manhãs pelo menos alguns minutos de seu dia escolhendo roupas adequadas para o trabalho, e eu não...
Comecei então a prestar muita atenção, pois ELEGÂNCIA É ADEQUAÇÃO.



E isso vale também para as questões climáticas, já foi em um lugar,  em um dia frio, onde todo mundo estava de casaco, mas aquela mocinha que queria mostrar o corpo a todo custo estava de vestido curtinho? A perna até arrepiada tadinha, mas o objetivo de mostrar o corpo era o mais importante para ela. Falhou! O corpo podia até ser divino, as pernas matadoras, o vestido Chanel, mas estava deselegante, INADEQUADA!



Por isso é importante sempre nos informarmos sobre o lugar onde vamos: Tem muitas escadas dá pra ir de mini saia? Tem ar condicionado vou passar frio? É informal? Black tie? Evento religioso? Evento esportivo ou social? Vou afundar o salto na grama? Vou fazer possíveis contatos profissionais? Ou vou para seduzir, mostrar o resultado da minha malhação? (isso também é válido, mais uma vez, dependendo da ocasião)

Todo mundo já errou um dia. Inclusive há que diga que na dúvida, é melhor ir mais bem vestida que todos do que menos...não sei dizer o que é mais embaraçoso.

Apenas para finalizar é importante lembrar também que desconforto é inadequado, saia que sobe, calça que mostra o cofrinho, tomara que caia que cai e tem que ficar puxando, sapato que machuca, roupas um número menor ou maior, e muitas outras coisas que acabam com nosso bom humor e assim também com nossa elegância. Tudo isso deve ser evitado. Ninguém precisa sofrer por causa de roupas e sapatos.
A beleza está em sentir-se bem, sempre!

Isso não parece nada confortável, faz até mal para a saúde!!
 

Kim teve que passer a noite segurando o casaco para não mostrar demais!


                                                     Legging beige é um perigo!!

Bom é isso, será que consegui transmitir meu pensamento? Espero que sim!

Obrigada aos que me acompanham :)

fotos da internet

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Para quem você se veste?


Já reparou como as pessoas antigamente eram mais bem vestidas?


Nas décadas de 40 e 50, numa época tão difícil, guerras, recessão e mesmo assim, as pessoas pegavam alguns minutos de seu dia para estar apresentáveis.

A quantidade de dinheiro que cada um tinha, podia influenciar na qualidade das roupas, mas você pode observar em qualquer filme ou foto dessa época, que ninguém viajava com grandes malas, era sempre aquela malinha antiga de roupas, inclusive eu até tenho uma que era da minha avó. 



E é incrível como a pessoa conseguia viajar apenas com uma malinha, e o mais incrível ainda, estar bem arrumada.

E sabe como eram os guarda roupas??



Duas portas. pequenas. E só.

A época da Guerra e pós Guerra, foram épocas dificeis, ninguém podia esbanjar dinheiro, as roupas eram poucas, mas bem cuidadas, duravam anos, lavadas a mão, feitas na máquina de costura, não era essa loucura de produçao em série e descartável de hoje em dia. Os tempos mudaram e muita coisa veio para facilitar, mas muita coisa importante acabou ficando pra trás...

Mais importante que ter grande quantidade de roupas, é ter as roupas certas, bonitas, bem feitas (tanto por fora quanto por dentro, como diz Costanza Pascolato é assim que se reconhece a alta costura, a perfeição de acabamentos), bem cuidadas, e que valorizem o corpo, não mostrem imperfeiçoes, não pareça que você não se preocupou nenhum minuto sobre o que vestiria de manhã para se apresentar ao mundo.



Daí você pode falar:  "Ah mas não tenho tempo pra ficar me arrumando"

Não tô pedindo para ninguém sair por aí "montada".
Apenas colocar um pouco de atenção na sua apresentação pro mundo. Porque se não vale a pena se cuidar, seu corpo, seu templo, também não vale a pena arrumar a cama de manhã porque de noite vai desarrumar de novo, não vale a pena acordar se vai dormir de novo...
a vida é feita de detalhes!
.
Eu não pensei sempre assim, eu sempre falava pra minha mãe que não ia me arrumar porque não ia ver ninguém, e ela sempre me falava: "Mas Deus tá vendo"

Eu achava engraçado e ela explicava:" Faça por você, você tá vendo, faça pra se sentir bem arrumada, composta" 

Daí cheguei a seguinte conclusão: você se arruma pra sair, usa roupas novas pra ir ao shopping ser vista por pessoas que você nem conhece e nem vai conhecer, que nem importam, mas na sua casa, pros seus filhos, pro seus pais, parentes ou marido, pras pessoas que você ama e se importa, você usa as roupas velhas, rasgadas, puídas. Pijamas de camisetas de politicos (ainda existem?!) 
Por você mesma, pra se sentir melhor, experimente se arrumar para ficar em casa.
A sensaçao é otima, de amor e valor próprio.


Tá tudo muito louco mesmo nos dias atuais, precisamos retomar essa "classe" que nos falta.

Ninguém precisa ficar de salto alto em casa igual a gente vê nas novelas, podemos priorizar o conforto, mas que a roupa esteja inteira, limpa,  que as pessoas percebam que você pensou em se vestir, se preocupou consigo mesma, se ama! Um dos primeiros sinais da depressão é a pessoa abandonar seus cuidados consigo mesma, até a higiene!
Não se entregue, todo mundo tem problemas, mas é mais fácil enfrentá-los estando em ordem, parece que assim fica mais fácil colocar ordem na vida.

Uma coisa que andei pensando é sobre as crianças, a gente nao percebe, mas essa é a lembranca que eles terão de nós quando crescerem, "minha mãe estava sempre de pijamas",  "meu pai vivia sem camisa" pense qual a lembrança que você quer que seu filhos/ sobrinhos/ irmãos tenham de você quando crescerem...Porque no final o que vale é o que a gente vive no dia a dia e a alegria que essas pequenas coisas nos proporcionam. Todo dia deve ser celebrado!

Enfim, tudo se resume a boas escolhas e atenção consigo mesma.

faça por você, afinal, como já dizia minha mae: Deus tá vendo!

* fotos da internet










segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Preferências: uniformes, cores e estilos

O que Angelina Jolie, Emmanuelle Alt (editora da Vogue França) e Dita Von Teese (dançarina burlesca) têm em comum??

Além de lindas, as três têm estilos bem definidos.

O que quer dizer isso? Quer dizer que elas perceberam que algum tipo de roupa as fazia se sentirem bem, e se tornaram fiéis a esse estilo.

Talvez não pelos mesmos motivos.

Angelina apesar de usar preto a maioria das vezes, diz que em seu guarda roupas tem 4 cores básicas (preto, bege, cinza e branco) e que isso facilita a sua vida corrida de mãe, atriz e embaixadora da ONU.
Em uma entrevista a Marie Claire Americana ela falou que consegue pegar a roupa que vai vestir no escuro, pois em seu armário tudo combina com tudo.

Eu, particularmente adoro roupas pretas e concordo plenamente com ela, apesar de saber que algumas pessoas podem achar um guarda roupa meio sem graça. Bom com a beleza dessa mulher, acredito que ela não precise mesmo se empetecar tanto...
Eu nào tenho essa beleza toda, mas estou com minha auto estima muito bem, obrigada, por isso me permito usar muito preto, é básico, não aparece sujeira (mães me entenderão) e é muito chic, eu acho...






Emmanuelle Alt, tem outros motivos para sua escolha, como editora da Vogue França, ela diz que trabalha tanto com roupas conceituais, artísticas e coloridas, que prefere ser mais básica para si mesma, assim como Michael Kors, que também tem seu uniforme (quase sempre black tambem), Emmanuelle é adepta da calça e camisa, simples e chic...francesa!






O guarda roupas de Dita é o sonho do meu "fantasy me" acho tudo lindo, perfeito, impecável, vestidinhos retrô de sonhos, e foi assim que já gastei os tubos comprando vestidos que no final foram doados por não serem compatíveis com minha realidade de mãe, empresária e professora de yoga, pensa...na minha rotina de vestidinhos e salto?!

Mas pra ela funciona, parece uma boneca, ela está sempre perfeita e fiel a seu estilo!







Fico pensando que deve ser mais fácil quando já temos um estilo que gostamos tanto a ponto de eleger o mesmo para todos os dias, mas nem sempre o temos.

Já briguei muito com meu estilo, um dia era uma boneca no outro um tomboy.
A vantagem é que com o tempo a gente vai se conhecendo melhor, e acho que agora, que já sou mais velha, consigo entender aquela história do que eu acho bonito pros outros e o que serve pra mim.

Demorou muitos anos e muito dinheiro desperdiçado, mas valeu a pena me encontrar.

É muito mais tranquilo quando a gente não se abala ao ver alguem usando alguma coisa e querer usar igual. A gente aprende a simplesmente elogiar e admirar aquilo que ficou bem naquela pessoa e não tentar trazer tudo pra nossa vida. Nem tudo é pra todo mundo, as pessoas tem idades, corpos, trabalhos, vidas e realidades diferentes, pra que ser a cópia de alguém?

Mas se voce ainda não sabe qual seu estilo, não se preocupe, ele irá se fazendo aos poucos, conforme você for fazendo suas escolhas sinceras ao comprar coisas.

Seja sempre fiel a você mesma, a sua vida.

Como yogin posso dizer que devemos nos preocupar com o nosso interior, nosso verdadeiro eu, e assim nosso estilo vai se formando sozinho, refletindo nossa verdade! O nosso exterior reflete nosso interior, sempre!

Afinal ser verdadeira com a gente mesmo é o que mais importa de verdade!

Namaste!

* Fotos da internet

sábado, 21 de novembro de 2015

Futilidades e prazeres consumistas de cada um


Houve uma época em que eu estava me sentindo culpada por gostar de coisas que grande parte das mulheres gosta: maquiagem, acessórios, roupas e sapatos.
Numa fase bem minimalista comecei a achar que gostar dessas coisas me fazia uma pessoa fútil, que vaidade era perda de tempo e que eu deveria ser um pouco mais com os homens e não me importar com essas coisas.
Existia um conflito dentro de mim, porque sempre gostei dessas "coisas de menina", mas não estava mais me permitindo gostar, achava pouco inteligente dar importância a essas coisas.

Daí um dia meu pai e meu irmão foram a uma feira de ferramentas em São Paulo, e quando encontrei com eles no dia seguinte, eles estavam vendo os brindes e itens que compraram e ganharam nessa feira. Eles colocaram tudo quase milimetricamente arrumadinho em cima de uma superfície e quando cada um falava de uma coisa, seus olhos brilhavam!! Juro, vi duas mulherzinhas comentando suas aquisições de roupas e maquiagem na volta do shopping. Juro. A empolgação e o jeito era igualzinho, bastava substituir os produtos e as personagens.
Eu não pude evitar comentar isso com eles, que perceberam a verdade da situação e desse dia em diante eles pararam de tirar sarro quando eu me empolgava com alguma coisinha considerada feminina demais.

Quando eu trabalhava na área financeira de uma grande empresa (e perceba que quem trabalha nessa área tem que se arrumar sempre com primor para passar a credibilidade necessária), conheci uma moça muito simpática, mas que não tinha vaidade (aparentemente). Estava sempre de tenis (e sempre o mesmo), sempre de brinquinhos mínimos que nunca tirava, e sempre de jeans e camiseta, nem bem nem mal vestida, neutra, normal.
Me passava a ideia de uma pessoa bem resolvida com sua imagem e aparência. Que não precisava provar nada pra ninguem e que estava vivendo uma vida muito tranquila e equilibrada. Até invejei ela um pouquinho, confesso, queria ter essa auto confiança, minha conta bancária agradeceria...
 Mas uma vez ela me contou que estava muito endividada no cartão de crédito, que naquele mês a fatura estava altíssima e que de presente de aniversário o marido iria pagar uma parte da fatura.
Eu, que na época também estava afogada em dívidas, (mas que era visível onde eu gastava, pois estava sempre com roupas, sapatos e bolsas novas), fiquei curiosa, e não me contive, chamei ela com cuidado para não ofender ou ser mal interpretada e tive que perguntar: "me desculpe a sinceridade, mas você não é de gastar com maquiagem", e ela respondeu: "É, não uso". "Nem com sapatos", eu disse, ela falou, "É realmente eu gosto de trabalhar de tênis", "Nem com roupas", constatei. "É, não sou chegada". "Então, me conta, como você gasta tanto no cartão de crédito a ponto de perder o controle?"
E ela falou: "Roupas esportivas! Da última vez que fui na loja Decathlon gastei R$ 700,00 em roupas esportivas. Sou viciada, adoro."

Então eu entendi.

Não é por serem diferentes de mim que as pessoas não tinham os mesmos problemas de consumismo que eu tinha na época.
Nesse dia ficou claro pra mim que todo mundo é igual, uns com ferramentas outros com artigos esportivos, outros com maquiagem ou roupas.
O ser humano precisa de diversão já diziam os Titãs ( a gente não quer só comida...).

E poder comprar com o dinheiro do suor do seu trabalho coisas que tragam felicidade, coisa materais também, porque não?
Claro que tudo sem exagero, pois o problema não é o consumo, mas o consumismo.
Se não a vida fica muito chata! Nossos "hobbies" são nossa válvula de escape.
Pequenos prazeres fazem parte da nossa existência, pequenas felicidades sem culpas.
Se maquiagem é oque te faz feliz, não deixe que os outros te diminuam por causa disso, lembre-se TODO MUNDO TEM SEUS PEQUENOS PRAZERES PESSOAIS.

E eles são permitidos, claro, por que não?

Enquanto estivermos vivos temos todo direito de aproveitar o que a vida nos oferece e nos faz feliz.
Por mais estranho ou fútil que possa parecer aos outros, pode acreditar!

sábado, 14 de novembro de 2015

Usar até acabar

Você usa suas roupas e sapatos até acabar??

Duvido...

Pergunte pra sua mãe quantas roupas e sapatos ela usou até acabar?

Alguns né

Agora pergunte para sua avó

Vários!

Infelizmente vivemos em tempos descartáveis, onde além de nada ser feito para durar, mesmo que durasse não íamos saber mesmo, por que descartamos antes.

Já teve aquela roupa, sapato ou bolsa que você usou até se desfazer? E no final teve que jogar fora mesmo, porque doação era impossível?
Eu já tive alguns, bem poucos posso garantir, mas a sensação de usar algo ao máximo, até literalmente acabar, é muito boa. Aquela sensação que seu dinheiro foi bem gasto, que o objeto cumpriu bem sua função, que você contribuiu para o meio ambiente.

Se desfazer das coisas é fácil, e posso dizer que até bem prazeroso, adoro fazer "a limpa" tanto no meu armário quanto nos dos outros (quando pedido, é claro). Tirar, limpar, arrumar, que delícia!!
Mas precisamos tomar cuidado para não cair a armadilha do comprar-descartar, comprar-descartar.

"Ahh mas eu sou desapegada, meu armário é enxuto, sempre me desfaço do que não uso"
Tudo bem, muito legal isso, mas continua comprando?
Tem gente que decide fazer um armário capsula, "a partir de agora vou viver leve com apenas as roupas que uso, tenho 300 peças e vou reduzir a 30, vou doar tudo. Mas antes, vou precisar comprar umas 10 peças para montar meu armário cápsula"

Sério? De 300 peças você não consegue montar um cápsula de 30 sem precisar comprar nada?

Perdeu todo o sentido do negócio, Missed the point, desculpe, mas você entendeu tudo errado.
O objetivo não é apenas reduzir, doar, mas também parar de comprar, reduzir o consumo, como você vai reduzir o consumo começando por consumir??

Bom o objetivo desse post é fazer esta análise, tente usar alguma coisa até o fim. Como na época de nossos avós, quando o consumo era bem menor, principalmente na questão de roupas e sapatos, e tudo era mais valorizado, não só objetos, mas também as relações humanas.

Se usar tudo que você te até acabar, ou quase, vai ficar sem comprar nada por muuuuito tempo.

Também não precisa exagerar, trabalhamos para viver, mas também nos darmos pequenos prazeres, presentes, tudo bem também, mas faça o teste com pelo menos alguns objetos e veja como se sente!

* foto da internet




terça-feira, 10 de novembro de 2015

A arte de comprar novos itens


Algumas coisas nós temos que fazer sozinhas, e na minha opinião, fazer compras de roupas é uma delas. Comprar não pode ser uma coisa rápida, como saciar um vício ou apenas cumprir uma tarefa, pode parecer meio brega falar assim, mas comprar é uma arte, e requer tempo, e disposição.


Claro que comprar todo mundo sabe, mas comprar bem é outra história.

O ideal é começar com uma lista. Eu tenho uma lista de tudo que eu preciso em uma agenda, e essa lista inclui desde uma calça legging  até um conjunto de copos pra cozinha (os meus são todos de requeijão, abafa...) mas essa lista não tem prazo pra acabar, um item pode ficar nela por semanas, ou meses, até que eu me veja frente a frente com exatamente o que eu estava querendo ou até que chegue meu aniversario e alguém me pergunte o que eu quero, na cara de pau mesmo vou consultar minha lista, porque quando a gente dá um presente quer que a pessoa goste e use, eu pelo menos sou assim inclusive dando coisas de lojas que sei que a pessoa vai poder trocar se não gostar, sem ofensas. Mas tem gente que só dá mesmo pra cumprir tabela, mas aí é outro assunto, então, facilita para a pessoa se a gente der uma sugestão, bom pros dois envolvidos, né?

Quando sobre um dinheiro e eu estou com tempo e disposição, posso ir atrás de algum item da minha lista, o primeiro passo é pesquisar na internet, para ter uma noção de preço e do que realmente estou procurando.

Liquidações? Não gosto.
Se está na liquidação algum problema tem.
Ou é fora de estação, ou tem defeito.
A menos que seja um item de uma moda bem passageira, que voce goste muito e que esteja realmente barato. Compre pra usar o máximo, por um tempo limitado e já sabendo disso, nesse caso vale a pena.

Sair as compras sem saber exatamente o que está procurando pode ser uma armadilha, e mais de uma vez não encontrei o que queria e acabava pegando outra coisa parecida, apenas para não me sentir mal de voltar de mãos vazias, como uma criança com seu prêmio de consolação, prêmio esse que sai caro, pois não é nem nunca será aquilo que eu realmente queria, e sempre vou olhar pra esse item como algo que eu comprei porque não tinha o outro ( até pode acontecer o contrário, e este item ser muito mais legal e funcional que o ouro que voce queria, mas são casos raros, quase uma loteria).
No geral essas coisas vão embora na primeira limpa do armário. Não gera um sentimento de conexão legal.

Sair com amigas para comprar nem sempre é boa ideia, na empolgação cada uma acaba olhando apenas algo para si mesma, e quando pedimos opinião vem um simples "Tá lindo" sem análise ou sinceridade, pois ou elas estão comprando algo também e mais interessadas nisso, ou estão com pressa para ver alguma outra coisa, poucas pessoas gostam de fazer compras e dar opiniões para os outros, com excessão das profissionais da área, personal stylists e outras, nesse caso vale a pena a companhia, se voce puder pagar por esta ajuda na hora das compras aí é outra história.

Amigas também podem tirar seu foco da compra, só voce, e mais ninguém conhece bem seu gosto e suas necessidades, as vezes a pessoa está passando por uma vibe por exemplo boho, fazendo cursos esotéricos e totalmente submersa nesse universo, que pode não ser o seu naquele momento, e é claro que ela vai dar uma opinião baseada no momento dela, "Esse colete de crochet é a sua cara!!" Só que voce é advogada e trabalha em escritório formal, ahhh mas minha amiga achou tao lindo em mim, vou levar, e lá se vai mais uma peça passar uma temporada eterna no seu guarda roupas.

Opinião da vendedora? Acho difícil ser sincera, elas querem vender. Ponto final.

Também não recomendo levar pai ou marido, por mais que eles sejam super compreensivos e pacientes, a gente sente um pouco de culpa por saber que tem alguém esperando a gente olhando pros lados com aquela cara de saco cheio, salvo raras excessoes, mas também não vale a pena essa pressão.
Levar a mãe é a opção menos ruim, mas em alguns casos a mãe é de outra época e ainda tem seus gostos bem enraizados na moda da época que ela viveu, assim, ela pode dar opiniões que não reflitam o seu gosto, a sua realidade, os tempos atuais, ela pode achar lindo vestidinhos de poá dos anos 60 com tiara, mas você é uma pessoa moderna que só usa calça e as cores preto e cinza, e ir na onda da mãe nesse caso pode ser desastroso.
Ou pior ainda, sua mãe pode ver voce como a menininha que sempre foi, e sugerir roupas infaltilizadas que não condizem com sua idade atual, ou até o contrário, sugerir peças que ela imagiva que ficariam boas nela, mas considere que a idade de vocês é bem diferente...
Como em todos os casos também há excessoes, há mães que são verdadeiras personal stylists, nesse caso parabens você tem muita sorte

Vamos às compras...

Pegue um dia livre, se arrume, se perfume, a máxima "O mundo trata melhor quem se veste bem " é verdadeira, e apesar de ser enganoso julgar pelas aparências, no geral as vendedoras vão tratar melhor quem estiver bem arrumada. Mas sem exageros, esteja alinhada, em ordem.
Leve sua lista, ou saiba bem de cabeça qual item pretende adquirir, após as pesquisas na internet, voce ja deve ter em conta os valores aproximados.

Não compre nada que não seja da cor ou estilo das outras coisas que você tem ou goste, já ouviu aquela frase: "Se voce tiver que comprar roupas novas para um novo trabalho analise se este trabalho é mesmo para você". Temos tendência a comprar coisas para o "fantasy me" e não para o "real me". O "Fantasy me" é um termo em ingles que define aquela pessoa que a gente imagina que poderia ser, mas não é o nosso eu real, no meu "fantasy me"já comprei muito vestidos rodados e saltos altíssimos, doei tudo, nunca usei, não tinha ocasião nem eventos, apenas aquelas festas e eventos que aconteciam na fantasia da minha mente onde eu era Dita von Teese 24 horas por dia, quem consegue??? Bora voltar pra realidade...

Compre algo para sua realidade, o hoje. Tenho andado tão imediatista que penso: Usaria esta roupa amanhã?? Se a resposta for sim, eu compro. E as vezes uso mesmo no dia seguinte, só pra tirar " a virgindade" da roupa e já colocá-la na roda, roupa nova guardada com etiqueta por muito tempo parece que vai perdendo o encanto, e vira mais um enfeite no guarda roupas.

Outra coisa é experimentar. Odeio. Mas já não compro sem fazer este esforço. Para facilitar quando vou comprar parte da baixo (calça, shorts, saias) vou com saia e uma calcinha que é um shortinho por baixo. Facilita muito e depois de provar, tem que olhar de todos os ângulos, andar um pouquinho com a peça, voce não vai ficar imóvel quando usa-la e as vezes dá alteração, principalmente shorts, alguns tendem a embolar no meio das pernas de quem tem  coxas um pouco mais grossas. Não tenha vergonha, é seu dinheiro que está em jogo, prove e dê um rolé pela loja. O mesmo vale para sapatos.

Analise também a qualidade, costuras, acabamento e no caso das roupas tecidos.
A maioria das pecas que me desfiz porque apesar de lindas toda vez que colocava para sair, não me sentia bem e tirava na ultima hora, eram peças de poliéster e tecidos sintéticos. Pra mim sufoca, a pele não respira, acho péssimo. Tenho evitado. Na verdade ultimamente tô bem chata com isso, procuro camisetas 100% algodão. Já as calças jeans é recomendável que tenha pelo menos 2% de elastano, fica mais confortável.

Depois disso tudo, ja com a decisão em mãos, hora de pagar.

A vista. Sim. Se não tem dinheiro não compre. Coloque na listinha eterna.
Porque nada pode ser tão urgente. A menos que sua casa tenha pegado fogo e você perdeu tudo, se não, pode esperar.
Acredite, vai ser melhor pra você, voce vai se agradecer no futuro. Orgulho de gente grande, sabe?
Além de poder chorar um descontinho...

E pronto, feliz da vida voce adquiriu algo que vai te trazer felicidade, vai combinar com todo o resto do seu armário e vai te deixar mais elegante. Essa é a compra certa, a compra feliz!

Espero que este post apesar de gigante tenha ajudado de alguma forma. Eu costumo seguir essas regrinhas e não tenho me arrependido.

Boas compras!

* fotos da internet

domingo, 8 de novembro de 2015

Coisas com história, objetos com alma

No auge do meu consumismo, trabalhava como secretária executiva em uma multinacional, usando sempre um terninho e sapatos coloridos combinando com a cor da cada terno em cada dia da semana e por mais invejável que eu parecesse, no intervalo do trabalho invejava a hippie que passava na rua descompromissada de chinelos havianas e bolsa de crochet.
Meu armário estava cheio, era lindo e invejável, e eu além de não ter um estilo definido, me sentia meio Barbie. Hoje sou a Barbie executiva:  terninho, pasta e sapatao de bico fino. Hoje sou a Barbie  preppy: sainha, meia calca xadrez e colete. Hoje sou a Barbie intelectual: óculos, saia lapis e camisa.
Era assim que me sentia, usando fantasia everyday. Gastava 80% do meu dinheiro com roupas, sapatos e bolsas e quando passava a hippie na rua eu sentia inveja, será que amanhã eu deveria me vestir de Barbie hippie???
Percebi que no fundo alguma coisa estava errada
Meu closet era cheio, mas nada tinha minha forma, meu cheiro, meu jeito, nada chegava a envelhecer, pois eu usava tudo um pouco e depois ja comprava outro, um mais moderno, mais na moda.
No escritório que eu trabalhava tinha um senhor responsável pela área de marketing que havia trabalhado sempre em emissoras de televisão, ele tinha por volta de 70 ou 80 anos e usava ternos Ricardo Almeida caríssimos e lindíssimos, perfumes importados, sapatos maravilhosos e estava sempre "na estica". Era um senhor muito elegante de cabelos branquíssimos.
Uma coisa destoava de todo aquele visual moderno e impecável, ele usava uma pasta de couro cor caramelo, dessas modelos artesanais, mais ou menos como a da foto abaixo:



Mas era uma pasta bem velha, desgastada e estava descosturando em alguns cantos, elogiei (mais por curiosidade do que por achar bonita mesmo, queria entender o porque dela estar ali), não que achasse feia, mas me intrigava, ele tinha dinheiro para comprar a pasta mais cara do shopping mas usava aquela, e então ele com toda sua discrição apenas me disse que fora um presente de sua esposa e que havia ganhado há mais de 20 anos atrás (esposa esta também uma senhora idosa, e não uma jovem descartável como ele poderia ter se quisesse dada sua conta bancaria).

E foi assim que por dias eu, quando via aquela pasta ficava viajando nela, pensando quantas historias ela deveria ter pra contar, quantas reuniões, quantas empresas e emissoras de tv ela ja teria visitado, quantas pessoas interessantes, era uma amiga fiel dele, e eu secretamente invejei não ter nenhum objeto "com alma". Tudo meu era descartável e não envelhecia pois eu já trocava por outro, nenhum objeto meu tinha historia, tinha sido meu companheiro de alguma aventura ou tinha me acompanhado por anos, nenhum estava se desfazendo de tanto uso ou teria um valor sentimental tão grande,
eu era superficial.

Esse foi um dos momentos em que começou a brotar em mim a semente do simples, do menos, do ato de ter poucos objetos, mas de qualidade, com alma, com história.

Então passei a comprar menos, mas meus empregos na época exigiam estar impecável, então eu comprava o melhor que meu dinheiro pudesse pagar. Em vez de 3 sapatos comprava 1, mas o melhor, aquele que poderia viver comigo, viagens, aventuras e historias, e que quando eu me desfizesse ele, tivesse criado uma cumplicidade, sentisse dó de jogar fora, tivesse aproveitado ao máximo.

Para ter menos coisas acredito que devemos pensar muito bem antes de comprar, evitar os descartáveis, pois além de não durarem nada tem toda aquela questão de trabalho escravo, meio ambiente e mil outras questões que podemos levantar com a fast fashion...
e acredite é melhor "repetir o bonito que variar o feio" um bom sapato de couro preto vai te acompanhar a semana toda, sempre elegante, seja voce menino ou menina.

Espero ter conseguido passar a minha ideia de objeto com alma, pois acho isso de suma importância no processo de reduzir as coisas.

e voce? tem algum objeto com alma?